sábado, 19 de setembro de 2015

Ter um filho Gay - aceitar ou não aceitar, eis a questão.

Francisco assume-se como homossexual. Filho mais novo de um casal com cinco (5) descendentes, todos homens. Rapaz sensível, humilde, educado, tímido, pouco falador e, talvez ( também) por isso, tenha sofrido desde criança, os efeitos da incompreensão, em especial, dos próprios pais, que sem o saberem entender, cedo notaram que o seu comportamento era diferente dos outros rapazes que com ele conviviam, e na rua, brincavam.

Os seus Pais já passaram dos 50 anos, e não são propriamente pessoas de mente aberta, no que concerne ao sexo e suas variantes. Para eles o seu filho Francisco é um doente e não um ser humano que escolheu livremente a sua orientação sexual

Nunca conversaram com os filhos sobre sexualidade, suas consequências, efeitos, doenças, orientação, entre outros assuntos próprias do tema sexo, o que se afere ser totalmente errado.

Tudo na sua vida mudou, e complicou mais ainda, ao nível da relação com os seus pais, quando certo dia, uma vizinha, descobriu que o Francisco era gay.
Ficou tão indignada - diz ela - que, depressa e sem se lembrar ou importar com as consequências que poderiam daí advir, foi contar, o que havia descoberto, aos Pais do Francisco.

Foi o "fim do mundo" no seio daquela família, em particular dos seus pais, que não entenderam, e nem sequer quiseram ouvir as razões que o levaram a gostar de pessoas do mesmo sexo.

Mais uma vez partiram para a violência, verbal e física, indicando-lhe a porta da rua como se Francisco fosse um cão raivoso, ou tivesse chagas de lepra, e não fosse um ser humano igual a todos os outros, que apenas havia optado por uma orientação sexual diferente. 

Francisco saiu da casa dos pais, sem lhes poder explicar o que sentia, o que pensava, ou seja, mostrar-lhes como sofria e sentia a seu coração em chaga, pela sua incompreensão, em função da sua orientação sexual.
Perante o descrito, mais uma vez se foi refugiar em casa da única pessoa que o entendia, o seu amigo Marco, que o recebeu, ajudou e, lhe desinfectou os ferimentos, sofridos pela agressão do pai, homem violento, ideias retrogradas, mau carácter.

Foi a partir daí que, sentindo como o seu amigo Marco o acarinhava, aconselhava e entendia que, ambos começaram a sentir que entre eles, existia algo mais do que uma sincera e pura amizade.


Francisco não mais voltou a casa, nem os seus pais o procuraram. 
Os dois namorados, Marco e Francisco, actualmente, trabalham juntos, são felizes. No seu emprego, ninguém sabe das suas opções e orientação sexual. 

Adultos como são e, sabedores do quanto ainda hoje os gays são descriminados a todos os níveis em geral, e no emprego em particular, agem como se nada existisse entre eles, para além de uma amizade, pura e fraterna, essa sim, para quem os observa, não deixa quaisquer dúvidas nem origina descriminação de nível sexual ou outro.

Francisco é sabedor - confessou o facto ao Marco - que alguém, não sabendo especificamente quem, um dia teve uma conversa séria, adulta, explicativa, com os pais de Francisco.
Essa conversa versou sobre a opção sexual que o Francisco havia tomado e seguido. Explicou-lhe ainda que só assim o Francisco era feliz, o que não aconteceria se, vivesse uma farsa encapotada, caso optasse por viver uma vida heterossexual.

Francisco ficou feliz por existir alguém que entende a orientação sexual de cada um, mas mais ainda, por os pais terem aceite o facto, embora guardassem para si muitas reticências, factor que, os tem impedido de o chamarem, terem uma conversa amiga e familiar, onde um abraço de pais e filho, pudesse selar a felicidade de todos.
Todos os seus irmãos são seus amigos e nunca o descriminaram nem o trataram como sendo Gay, mas sim, respeitam a sua opção, como ele respeita a opção dos irmãos em serem heterossexuais.

Existem, infelizmente, muitos casos como o de Francisco. Ainda hoje existe quem não entenda que cada ser humano deve seguir o seu destino apenas com um propósito e fim: SER FELIZ.

- Quer deixar a sua opinião sobre os factos em questão?
- Se tivesse um filho que fosse gay ( ou lésbica), como reagia?
- Aceitava e dava-lhe aquele abraço de compreensão, ajudando-o e desejando-lhe que o que queria era que fosse feliz, ou agia de forma diferente?
- Será que agia como agiram os pais do Francisco?
- Na sua opinião a homossexualidade é uma doença ou uma escolha sexual?
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6 comentários:

  1. Prefiro ter um filho gay do que um filho drogado!

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    1. Nem mais Chocolicia! Somos duas. Mas ainda existe muita polémica à volta do assunto.

      Obrigada, volta sempre

      Bjos

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  2. Um história que poderá ser real, quantos Franciscos se encontram na mesma situação. Sou Mãe de família, mas prefiro mil vezes um filho Gay, do que assassino, drogado ou ladrão

    Não vou dizer que não seria difícil a noticia, no momento, mas, preferiria que fosse ele a contar-me. Meter um filho de casa para fora por causa de uma opção, já mais. Sou contra isso, em todos os sentidos. Há excepções, mas até aí poderá-se tentar sempre uma ajuda extra.

    Não vou dizer que lhe dava aquele abraço, no momento penso que ninguém tem essa reacção, mas depois de muito diálogo e a coisa bem digerida, quem sabe se, até será mais acarinhado. É o que eu penso como Mãe.

    Não é doença, não é tara... é uma opção de vida que, cada vez se vê mais, e falo só dos rapazes.

    Bom artigo.
    Beijoos-Bom Sábado.

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    1. Está tudo dito, Anjinha Sexy

      Há que aceitar os filhos tal qual como são, referindo à sua opção sexual....

      Obrigada pelo teu comentario-
      Bjos

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  3. É um assunto que gera discussão. Ainda hoje existe quem não aceite a homossexualidade como normal. Nada que muito diálogo e muito amor não resolva. Mas que não deve ser fácil para uns pais saberem da homossexualidade de um filho ou filha, penso também ser real.
    Difícil de dizer se aceitava de forma normal uma noticia dessas sobre um filho meu. Difícil mesmo. No entanto, antes gay que assassino ou entregue a drogas duras.
    Bjo

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    1. Max Men
      Difícil de aceitar, é; E julgo que para os Pais se adaptarem leva um certo tempo, é um assunto delicado no qual os pais não foram educados para tal. Tipo Deus fez o Homem e a Mulher para procriar, e muitas idades não conseguem digerir nem entender.
      A violência resolve alguma coisa?
      Expulsa-los fora de casa, resolve alguma coisa? Não, eu acho que ainda agrava mais, sofrem uns e outros. Penso que nada que uma boa conversa não resolva...Ninguém aceita de forma normal, mas penso que se existir amor, tudo se supera, embora seja sempre aquele murro no "estômago"

      Obrigada pelo teu lindo e grandioso comentário.
      Bjos

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